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Saúde

Obesidade e fome, os problemas de alimentação mundial

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Dia 11 de outubro é Dia Nacional de Combate a Obesidade. Estamos vivenciando um problema de alimentação mundial, de um lado a obesidade, e de outro a fome.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou, por consenso, uma resolução que recomenda esforços para reduzir a obesidade no mundo até 2020. A ideia é reduzir, em média, 30% do consumo de sal e aumentar em 20% as atividades físicas. A estimativa da OMS é que há mais de 40 milhões de crianças, com menos de 5 anos, com excesso de peso.

Ellen Gustafson – é fundadora e diretora executiva da 30 Project, foi uma das fundadoras da FEED Projects e da FEED Foundation e trabalhou para o Programa Mundial de Alimentos da ONU - propõe uma mudança simples para acabar com a obesidade e a fome.

O sistema alimentício moderno está ruindo. Nas últimas três décadas, o crescimento do processamento industrial de alimentos, o sumiço de propriedades agrícolas de pequeno e médio portes e a superprodução de commodities agrícolas subsidiadas como milho e soja nos deixaram com uma fartura da comida errada. Não espanta que estejamos às voltas com duas epidemias irmãs: fome (em regiões onde a comida é escassa) e obesidade (em áreas nas quais a comida a preços acessíveis é altamente processada ​​e baixa em nutrientes).

Hoje, apenas 10% das compras em supermercados nos Estados Unidos são de frutas e verduras; nada impede que essa parcela suba para metade até 2020, conforme recomendação do USDA (o Departamento de Agricultura americano).

Para chegar lá, também é preciso achar um meio-termo entre o grande agronegócio — global, eficiente, mas não raro pouco nutritivo — e a agricultura local, em pequena escala. Será preciso regionalizar a oferta de alimentos. Produtores locais podem unir forças para competir em escala regional; já multinacionais terão de incluir fornecedores regionais e locais na cadeia de suprimento.

Essas duas mudanças já estão em curso. Nos EUA, um serviço na internet batizado de Local Orbit permite que o cliente compre alimentos de vários produtores e fornecedores locais de uma só vez. Já a Unilever pretende inserir meio milhão de pequenos agricultores em sua cadeia de suprimento até 2020 — estratégia inteligente que ajuda a empresa a garantir fontes diversas e sustentáveis ​​de matéria-prima.

Mudar aquilo que comemos nos deixaria mais saudáveis e, assim, derrubaria o gasto com saúde. A regionalização também aumentaria a segurança alimentar e reduziria o custo, em carbono, do transporte de alimentos. Mas esses argumentos não parecem suficientes para promover a mudança. Que tal, então, pensar no seguinte: a reestruturação do sistema alimentício seria um forte estímulo ao desenvolvimento econômico a nível local e regional no mundo todo. Nossa dieta é ligada àquilo que produzimos — e a economia também. Se mudarmos o que botamos no prato, podemos mudar o mundo.

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